POR QUE TREINAR SEU TIME?


Outro dia um colega me falou que “esse negócio de treinamento é coisa do passado. As empresas não estão mais dispostas a gastar dinheiro nisso, principalmente as pequenas e médias”. 

Nem fiquei chateada, pois este é um pensamento muito comum.

O primeiro erro é considerar treinamento como gasto, quando, na realidade, este é um investimento. Oi????? Relaxa, continua lendo este post que você já vai entender.

O segundo erro é não entender o que é e para que serve o treinamento corporativo. Vamos lá!

Digamos que você tenha um pequeno negócio e precisa substituir ou aumentar a equipe de atendimento aos clientes no balcão ou pelo telefone. Você procura alguém nos sites de emprego ou recebe uma indicação de um amigo ou mesmo de um empregado. Preferencialmente, como há muita oferta de mão de obra para cargos sem muita necessidade de especialização, você escolhe alguém “com experiência no seu segmento de atuação”. E acha que está fazendo um grande negócio, pois não terá que perder tempo com o novo empregado, pois ele já sabe como trabalhar. Será?

É aí que começa o seu problema.

Exemplo 1. Numa cozinha, você reúne 10 pessoas que sabem cozinhar arroz e manda que elas o preparem. Se você ficar lá observando, perceberá que cada uma fará o arroz do seu próprio jeito e, ao final, quando você for provar a comida, verificará que cada arroz terá um sabor. Na nossa vida pessoal não é assim? O seu arroz é igual ao da sua mãe, ao do seu pai, ao das suas avós? Muito sal, pouco sal, com alho, sem alho, com cebola, sem cebola… Alguns arriscam até colocar pedacinhos de cenoura (nem que seja para tirar depois), porque têm crianças e elas precisam de vitamina E.

Arroz branco – Imagem da internet

E qual era a sua expectativa, em relação ao arroz? Você nem comentou com o grupo, uma vez que todos sabiam cozinhar arroz, não é? E se o seu arroz devia ter um determinado ingrediente, o qual estava na bancada próxima ao arroz, e que você julgou óbvio que deveria ser usado? Alguns até podem ter percebido, mas nem todos sabiam como utilizá-lo.

Arroz com alho e cebola – Imagem da internet

Começou a perceber? Não é porque alguém tem experiência anterior ou não que ela vai trabalhar da maneira que a sua empresa precisa. E não é suficiente informar que é necessário utilizar o ingrediente específico, pois existe a resistência à mudança. “Sempre fiz arroz deste jeito e agora vem esse sujeito me dizer como devo fazê-lo…” Aí você pensa: não quer fazer como estou mandando, vou demitir e contratar outro. Afirmo que esta suposta solução não vai dar resultado.

Numa entrevista do filósofo Mario Sergio Cortella no jornal Estadão, em dezembro de 2020  Sonia Racy perguntou: “A experiência prática mostra que, se você coloca 10 crianças numa sala e dá uma bola para cada uma brincar, você volta horas depois e encontra uma criança com três bolas, uma com o olho roxo, duas chorando. Tem como mudar a natureza humana?

Ele começou a resposta confirmando que, “enquanto natureza, somos seres competitivos, egoístas, temos a autopreservação como horizonte”. Porém continuou: “Não somos só isso. Temos necessidade de agregação, pois, do contrário, perecemos. Naquela sala das crianças, basta uma delas depender das outras que ela notará a necessidade de negociar um modo de convivência”.

De novo, parecia óbvia a orientação: cada um com uma bola, era só sair brincando, né? E a interação entre as crianças? E a história pessoal de cada uma sobre o que fosse brincar com bola? Havia necessidade de orientação, de treinamento. Se fosse uma equipe de trabalho, como a empresa gostaria que eles agissem?

Exemplo 2. Aqui no meu condomínio temos áreas arborizadas com bancos. Algumas mães ou avós, acompanhadas de seus filhos e/ou netos, sentam nos bancos e mandam as crianças brincarem, enquanto elas se atentam aos seus celulares. E as crianças lá, sem orientação, cada uma brincando da maneira que acha certa (muitas vezes destruindo o jardim…). Veja que tanto no exemplo 1 quanto neste as pessoas não fizeram nada por mal. Cada uma achou que estava fazendo o certo. Aí, de vez em quando, ouvimos uns gritos: “Fulaninho não faz isso!”. Sabe do que adiantam estes gritos? De nada, além de serem irritantes. Os gritos não mudarão o comportamento.

Como você quer que seus empegados atendam seus clientes? Não pense que é somente uma questão de ser educado. É questão, também, de postura, de conhecimentos específicos sobre seus produtos e sua clientela. É a imagem da sua empresa. É a memória que você quer que seus clientes tenham do atendimento prestado.

Seu cliente compra uma vez, mas não volta. Será que tem relação com o atendimento recebido?

Cada empregado, gerente e líder está sendo forçado a aprender. Mandar embora e contratar outro? Não adianta. Gritos? Não adiantam? Ficar o tempo todo vigiando? Não adianta.

Todos precisam entender e interiorizar o comportamento esperado pela empresa, aquele que vai trazer resultados para a empresa. 

Outro fator importante é que manter atualizadas as habilidades das pessoas é o maior desafio dos nossos tempos. O aumento do trabalho remoto, os avanços tecnológicos e a pressão constante por mais automação tornam o desenvolvimento dos funcionários cada vez mais fundamental. Quais as principais habilidades que suas equipes precisam ter?

Agora já deu para entender por que treinamento é um investimento? Investimento na sua empresa, na sua marca, na fidelização de seus clientes, na construção da cultura organizacional.

Já entendeu, também,  para que serve o treinamento corporativo? Esqueça aquele conceito ultrapassado de pessoas sentadas durante horas, ouvindo um instrutor. Os tempos mudaram, novas técnicas e metodologias surgiram, focadas nas necessidades específicas da sua empresa, na formação do comportamento da sua equipe, no engajamento do seu pessoal e no retorno financeiro para o seu negócio.

Administradora. Professora de Administração da UFF/Cecierj. Pós graduada em Gestão de Pessoas. Especialista em processos de gestão de pessoas. Avaliadora do SEBRAE no Prêmio MPE-RJ 2016. Perita Judicial TJRJ.

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